domingo, 14 de setembro de 2025

Livro 27- Ditadura Temer

Ditadura Temer


Poesias


Ateu Poeta/ Amadeu Nuvem/ Aroldo Historiador



1

DITADURA TEMER

O povo é quem deve escolher
O eleitor é que deve votar
Volta Dilma!
Fora Temer!
Diretas Já!

O desgoverno só sabe bater
Isso ninguém pode aceitar
A PM é o braço da repressão
Estão forçando a revolução
O Brasil ainda irá acordar?

Como é possível tanta corrupção?
Quadrilhas com todo o poder
Golpe daqui, golpe de lá
Direitos trabalhista por um fio
Aposentadoria a tardar

E muita gente de braços cruzados
A observar
O interino deve cair
Porque quer se esconder
E só pensa em privatizar

É hora de greve geral
Lutar com força total
Não precisa ser guerra
É criar estratégias
E as ruas ocupar

Travar o sistema capital
O cidadão é o morfema
A causa sem a qual
Razão não há
A essência, o fundamental

Nós temos a força nas mãos
É saber usar
Para enterrar essa façanha
Que de fato é um crime
Grande jogo de barganha

Já é tempo desta farsa encerrar
E a democracia restaurar
Porque há hipocrisia demais
Chega dessa ditadura!
O país não aguenta mais!

Ateu Poeta
08/09/2016

2
SE MANDA, MICHEL!

Foi tudo uma mera ilusão
Ficou todo mundo na mão
Michel é o chefão que comanda
Quadrilha de grande demanda

Privatização desenfreada
É uma grande furada
A jogada já está cantada
E a rede mais do que armada

Devolva a minha democracia!
Não me venha com sua hipocrisia!
O meu voto na urna não vale?
Já não basta o desastre da Vale?

Essa política de coalizão
Leva o Brasil para grande depressão
É hora de um levante!
Para o país poder ir adiante

A guerreira honesta deposta
Em seu lugar esse vice covarde
Que gosta de aposta
Violência e  muito alarde

Vaias para o Vigarista!
Não é mais que um grande fascista
Golpista que finge falar Português
Virou todo mundo freguês?

Voltou a política da fome
Daqui a pouco é só rico que come
Pobre que vá lotar a favela
Segurar vela e esquecer o nome

Se manda, se manda, se manda, Michel!
O Brasil não é o teu quartel
Seu pária, patife sem pátria!
Arbitrário como um coronel

Se manda, se manda, se manda, Michel!
Se manda, se manda, se manda!

Ateu Poeta
19/09/2016

3
MICHEL TEMER NA PRISÃO

Você quer mais saúde
E mais educação?
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Quer ver o Brasil
Sair da depressão?
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Quer ver todo mundo
Fazendo boa refeição?
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Quer ver o pobre
Andar de avião?
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Para o voto valer
Na Constituição
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Para evitar vinte anos
De suprema recessão
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Para o Brasil ser respeitado
Como grande nação
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Para acabar esse golpe
E desfazer essa armação
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Chega de tanta truculência
Sobre o cidadão!
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Para diminuir as fraudes
E toda a perseguição
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Para o Cunha delatar
Sem nenhuma restrição
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Para o Moro prender
Algum tucanalhão
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Para o Japonês e o Lenhador
Ir cada um lamber sabão
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Para a Globo sofrer
A merecida punição
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Para a Veja largar mão
Da falsificação
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Para a grande mídia não cuspir
O seu fogo de dragão
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!
Primeiro é preciso
Botar Temer na prisão!

Ateu Poeta
25/10/2016

4
A REPÚBLICA DOS RATOS

Estamos sob fogo cruzado
E sem guia nessa escuridão
As balas saem de todos os lados
Tudo atrelado à torta opinião

Não tem como não escolher um lado
Sendo esmagado por mais uma lei ilegal
Quem nos governa além de estupidez
Ostenta a suprema face do mal

De golpe em golpe
A liberdade a galope
Perde-se-á em veloz gole tenaz
Temer-se-á apenas o próprio medo

O jeito é não render-se jamais
A luta se fará enquanto é cedo
Porque depois torna-se-á banal
Quando for tarde demais

Estudantes ocupam milhares de escolas
Dando exemplo de conscientização
Democracia não se faz dando esmolas
Nem cheirando cola com a miséria na mão

A fome já bateu na sacola
A morte chamar-se-á PEC 241
Sem a menor sombra de sorte
Ou de norte para brasileiro algum

Batuquem o quanto puderem
O Vampiro é inimigo do sol
Que nasce para todos
Do ocaso fazer-se-à arrebol

Vamos combater a hipocrisia
Não à escola sem partido
Não à grande recessão
Precisamos de investimentos

Em saúde e em educação
Não à reforma fraudulenta
Deformadora do Ensino Médio nacional
A nossa justiça é injusta, comprada e lenta

Violenta: prende inocentes e aos  culpados inocenta
Moro, Cunha, Temer, Calheiros
Merecem muitos anos de prisão
Pois rasgam sem dó a nossa Constituição

Cada um deles será para sempre rival
O povo contra a Midiocracia
Uma hora deve se rebelar
Porque a pressão nos grilhões irá aumentar

O Brasil virou a República dos Ratos
Eles não cansam de surpreender
Desde ator pornô
Até a Máfia no poder

Ministério do Queijo Suíço
Dinheiro em paraísos fiscais
Fatiam os nossos direitos
Direitistas, fascistas radicais

Qual deles não está na lista
Do roubo da merenda ao tráfico de drogas?
Rogar-se-á para as religiões
Qual será o mais vigarista?

Para isso há que fazer eleição
Mas, sob ditadura “intervencionista”
A urna nuca terá razão
Artistas cantam contra os traidores

Patos, coxinhas, globistas e infratores
Raposas, coiotes, lobistas
Com rabo preso
Nenhum tucano engaiolado

PMDB aposta na privataria
Daqui a pouco vendem as estatais
Universidades públicas fecharão
Filho de pobre doutor? Nunca mais!

Os golpistas querem o Brasil quebrado
O caos é o seu cais
Cada um com seu avião
Cada vez mais desiguais

Ateu Poeta
26/10/2016

5
SE O CUNHA CAIU

Se o Cunha caiu
Imagina o Michel
Golpista senil
Será melhor para o Brasil
Temer não merece o poder
É um traíra vil

Precisamos no livrar desse golpe civil
Com plebiscito por diretas já
E tudo o que não se garantiu
Quem vai pedalar
Para beneficiar
A agricultura familiar?

Nesse cenário febril
Seguro safra ainda existirá
Ou a pauta já saiu?
Quantos olhos ainda irão arrancar
De professores, estudantes
E câmeras no ar?

Quantos essa ditadura
Ferrou com ferradura
E quantos já feriu?
Quem paga o pato de toda essa ingratidão?
Será que a luta de 64 foi toda em vão?
A História repetirá a mesma canção?

Quem estará vivo ao final do refrão?
Ainda somos soldados
Amados ou não?
Não podemos ficar parados perante esta infração
A democracia é muito cara
Para dela se abrir mão

Ateu Poeta
13/09/2016

6
LÁGRIMAS DE SANGUE

O país já chora
Lágrimas de sangue
Nesse descabido bang-bang
A estudante perde o olho

Tal qual professor
Em batalha contra Richa
Todo desgoverno faz rixa
Contra a educação

Educar para quê
Se a esquerda é contramão?
Até ficar todo mundo caolho
A justiça vai fechando os olhos

Ante as rapinas da ambição
Vai virando tradição
Toda esta bestialidade
O meu peito se invade

De uma tremenda compaixão
Com a doce canção
Da revolução que se assanha
Com a façanha de Guardião

Não sei mais se a cautela
Ou o que se aquartela
É bom ou não
Se importa a seleção

Ou a Portela
Se impera o golpe
A galope
E tão febril

No seio de um Brasil
Não mais gigante
Diante dessa onda
De injustiça

Onde só a cobiça soa
E tem vez
Há xadrez
E camburão

Para os não-calados
Favelados
Subversivisados
E ousados

São vocês?
Para quem não se conforma
Nem deforma
Não se vende

Para os calejados
Apedrejados pelo sistema
Quem não teme seguir o tema
E não treme para Temer

Desarmados
Soldados?
Amados
Entoando a canção ao vento

O lenço e o documento
Onde estão?
Contra o tempo
Nada nas mãos

A censura já começou
E aos poucos mostra suas garras
Os direitos, quem tirou?
Iremos perder muito mais

Aqui jaz a tão curta democracia
Foi-se pela hipocrisia
Que se instala em seu lugar
E entala

Estala
Tudo o que não deveria
Estar lá
Voltará a monarquia?

Os ratos do poder
Logo aprenderam a ladrar
E ser gatunos
Sabem bem prosperar

O povo tem poder
Mas não sabe
É o mesmo
Que não ter

Ateu Poeta
02/09/2016

7
GOLPE E TRAPAÇA

Tudo se faz na trapaça
Põem na democracia
Mordaça de hipocrisia
Crise forjada

Bomba armada
O congresso é piada
De puro regresso
Onde um cheira cocaína

Outros vêem filme pornô
Diz aí, Janaína
Faça-me o favor
O que se pode supor

De senadores
Com tal conduta?
Serão uns filhos da pátria
Enquanto nós vivemos na labuta?

Só sabem amar a ditadura
Porque é força bruta
Devem gostar de apanhar
Embora tenham medo da luta

Querem tirar à força
A esquerda do poder
Por o povo na forca
Para enfim fenecer

Tudo que seria possível
De alguma melhoria
Adoram mesmo a ilusão
Vivem de fantasia

Há muito não têm coração
Têm paixão só pelo ódio
Esta é sua razão
Dinheiro acima de todas as coisas

É o maior mandamento
Chamar outros de elemento
Fazer a onda do momento
Causar ao pobre tormento

É tudo que a direita quer
Endireitar, jamais
Têm medo de perder o cabresto
Do voto, do escravo seviciado

Zumbificado
Sem saber usar a urna
Aposentadoria para quê?
Só se for para os mais ricos

Quem sabe escolher um lado
Com coragem e seriedade
Estará contra esse golpe
De intensa ilegalidade

Ateu Poeta
30/08/2016

8
A PEC DA MORTE

A hipocrisia vem
De cavalaria
A gritar
Negros batalhões

Balas
Bombas
E rojões
Pra aprovar

A prova é esta
Cada PEC atesta
A festa em bloquear
Nas muralhas da ditadura

Homens sem armadura
A cantar
São cidadãos
Estudantes em ação

A protestar
As borrachas do poder
Não podem apagar
As marcas históricas

Se o fogo sangrou
Nesta data categórica
É porque o poder
Está a golpear

O povo inteiro
Que não é carneiro
Para a tudo
 Se ajoelhar

Os cassetetes
Ferem leis pétreas
No seu altar
É salutar para o Brasil

Que não se desista
Mesmo que 
A Mídia Fascista
Insista em demonizar

Criminalizando os movimentos
Sociais por intento
Que seguem atentos
Para a Constituição

Não desabar
Que o IPHAN faça mesmo
Esse maldito 
Temer tombar

Eunício não me representa
Não me venha falar
No meu Ceará
Sai pra lá, golpista!

Você está na lista
A sugar
Sem investimento
A nação só pode mesmo

 É afundar
Lamento
Que no Parlamento
Tenha tanta gente má

Gestores infratores
Grotescos tratores
Neste circo 
De horrores

Irão  de nós tudo tirar
O alvo é certo
Se fará deserto 
Para cá

Agora é o momento
De firme balançar o maracá
Porque a guerra
Já está declara

Com atentado
Até em Maricá
O cão que muito ladra
Morde com afinco

Se algum temor se demonstrar
Por isso mesmo temos
Que muito mais
Forte protestar

Ateu Poeta
30/11/2016

9
COCAÍNA NO SENADO

O Brasil está neste estado
O acusador é advogado
Tem cocaína no Senado
Quem será o cheirador?

Eu já estou desconfiado
Por um helicóptero encontrado
Mas tem que ser averiguado
Não se pode à verdade se impor

Inocente é sempre culpado
Quando o filho do favelado
Um dia vira doutor
O cara da elite fica preocupado

O presidente tem que ser afastado
Mas, nada acontece ao senador
Nos bastidores deste golpe elaborado
Tem um deputado

Na Suíça já pode ser contador
Porque está tudo financiado
Muito dinheiro desviado
É outro gângster enganador

O crime inexistente é julgado
E o verdadeiro ao seu lado
Só no Brasil acontece esse pavor
Com certeza será tudo arquivado

Porque já foi tudo cheirado
E não pode ser restaurado
Não haverá inquérito instaurado
O juiz do errado é professor

Ateu Poeta
30/08/2016

10
OS FACÍNORAS

 A vida é mais fatalista
Que qualquer filosofia
E não há alquimia mista
Com toda a sintropia

Que arranque
Do fascista
A sua louca
Obsessão doentia

Em plena a luz do dia
O golpe vem à bala
O próprio pai
Faz mortalha

No peito do filho
Inocente
Quantos guilhermes
Haverão de morrer

Quantos olhos terão
Que ser arrancados
Para se perceber
Que todo esse seriado

É uma novela torpe
Que só tem um lado
A grega tragédia
Que agora é mundial?  

As guerras sangrentas
Só crescem
Alimentando
O podre capital

A selvageria humana
É grotesca
Tosca
Brutal

Os tolos fazem
Do bandidos heróis
Chamam os paladinos reais
De vagabundos

Digam-me
 Em que mundos que vocês moram?
Estão chapados
Alienados medíocres?

As suas panelas batendo
Não estancarão os sagramentos
O seu pato pateta
Possui fome

De coxinha
Massa de manobra
De mente demente
Tolinha

Não adianta perder a linha
As vidas não voltarão
Os canalhas estão no poder
Cada qual o maior tubarão

Mandam-me ler as PECs
Como se fossem o Corão
Com todo o fundamentalismo
Mecanismo

Para gerar
Ostracismo na razão
Falsidade intelectual
Argumentos ad ominem

Linguajar de jaguar
E lobista
Tudo obra orquestrada
Por um imperialista

Que se esconde na ribalta
De categoria tão alta
Que o seu nome
É quase um crime dizer

Os próprios sites
 Boicotam os clientes
Ao seu bel prazer
As marionetes se contentam

Com as suas migalhas
Vendem os seus países
Para os facínoras
Gentalhas

Ateu Poeta
23/11/2016

11
MUNDO SEM CORAÇÃO

Nada mais subversivo
Que plantar ateísmo no quintal
Quebrar o impressionismo
E queimar as flores do mal

A saudade de você
Traz tristeza e solidão
Por isso a minha poesia
Tem euforia de canção

O Brasil está dominado
Por uma corja sem freio
Passeata de bandidos
Golpe em todos os meios

Garotos na Síria
Sofrem numa selva de explosão
Morrendo em guerras de homens
Que não têm coração

Os Estados Unidos
Desunindo cada nação
De olho do petróleo
O tesouro afegão

Primavera árabe
Até o Egito
O Estado Islâmico
 Faz do terror o seu grito

Vão lutando e voltando
Sempre para o caos
Seja na Nigéria, Iraque
Líbano ou Laos

A caverna impera
Põe cabresto na razão
Cérebros deformados
Na forma da religião

A política da miséria
É a mais propagada
Arrebanha na campanha
Comprando votos na estrada

Em vez de caderno
Dá diversão e cachaça
Prometendo “mundos e fundos”
E promovendo arruaça

Os bons são difamados
“Amados ou não”
Por quem faz injustiça
Com a Justiça na mão

A lei do Corão
É refrão contra a Terra
Tiros de fuzil e metralha
Granada que berra

Uma lágrima cai
Prevendo a destruição
De tudo e todos
Pela ganância em ação

Ateu Poeta
27/09/2016

12
TEATRO DOS VAMPIROS

Presas na presa a predar
Pressa
Prévia primaveril
Presente pretenso

Preponderar por princípio
Prático
Próxima propina
Propiciar

Prognóstico programado
Propor
Prevalecer
Preservar

Presença prevista
Proporção
Precário pretérito
Prevaricação

Ateu Poeta
31/07/2016

13
A ROSA VERMELHA

Nada fala por si
Até o olhar apaixonado
Deve ser analisado
Desde a mais tênue escuridão

Às tramoias no Senado
Morre a flor amarela
Mas, a Rosa Vermelha
Brota do chão

Fogo na rua
Povo a batucar
Sem patos nem panelas
Em febril aquarela

As querelas
Continuarão a querê-las
Sem a menor compaixão
Ditadura da bala e do cassetete

A chuva de canivetes
Está para cair
Às escusas
O Vampiro pira

Sai do caixão
Para sugar o sangue
De todo o país
Quando se compra o juiz

O jogo está decidido
Mas, a arquibancada
Revoltada
E unida

Já criou até
A desexpulsão do Pelé
Cartão vermelho para o árbitro
O show da mais pura revolução

"Cala a boca, Galvão!"
Da gávea ao Castelão
Do sertão à serra
A batalha não se encerra 

Esta terra Brasil
Traz no peio o pavio
Para salvar
Tripulação e navio

Aplaudiria Karnal
O historiador
Afinal
Não se chegou ao final

É preciso 
Um otimismo de Sabino
Porque a democracia
Não é carnaval

As vaias são duras
Às vezes sábias
Quase pintura
Dando certa candura

De antemão
Se não Cortella 
Pasquale lembraria
Que quem tem boca vaiaria

A grande Roma de seu tempo
Só começou a sangria
Machado, Moro, Temer
Cunha, Calheiros, Serveró

É grande a lista
E a hipocrisia
Fica maior
Dia a dia

O couro come
Não resta nem sobrenome
Da AS em pó
Odebrecht 

Avante a Greve Geral!
Ocupem tudo!
Pois, o capital
Não pode estar acima da razão

"Caminhando e cantando"
Já dizia a canção
"Sem lenço e 
Sem documento"

"Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação"
"O Céu é só uma promessa
Eu tenho pressa, vamos nessa direção"

Com frases e cartazes na mão
Com ação e sanidade
É que se faz 
Uma nação de verdade

Com qualidade na Saúde
Reforma Agrária
Sem Lei Arbitrária 
E exímia Educação

Mas, sem luta
É perdida a labuta
Presa na predação
Político-industrial

Neste país tão desigual
A fome logo voltará
A ser assolação abissal
Porque no seio da ambição

Mora
O voraz açoite
Da população
Que a noite aprimora

O Sol queimará a todos
Sem ao Socialismo amar
Anarquismo e Comunismo
Serão paisagismos

Aforismos da inequação
Se o cabresto não romper
Os grilhões voltarão
Nos porões da tortura

Com toda a loucura do sistema
Não tema!
O cão se farta no temor
Que alimenta a fúria do opressor

Progresso não é propaganda
Governamental na Globo
Até o bobo consegue ver
Mas, a ignorância desejada

Para a jornada com suas muralhas
Para fugir das batalhas
Deixando a mente falha
Delirar

Deturpando qualquer argumento
Mentindo sobre todos os aumentos
Superávit cambial
Implantando o ritual

"Deus, pátria e família"
Eis aí o fascismo, milha filha
Na ilha da ilusão
Os idiotas moram lá

Quem saiu da caverna
Faz navegação
E descobre a realidade
Quando chega a idade

Deus não obra milagre
Mudança faz quem está
Na linha de frente da tropa
Quem disse que só a Europa

Pode prosperar?
A influência dos Estados Unidos
Deixa os Estados desunidos
Melhor alertar

A História se faz agora
Fascistas, fora!
É isso
Que iremos gritar

Ateu Poeta
12/11/2016

14
QUEM PAGA O PATO?
(paródia)   

Lá vai o pato
Na avenida a protestar
São vinte anos
Para poder se lascar
 
O pato pateta
Para fazer eco
De amarelinho
Saiu do boteco
 
Apoiou estrangeiro
Feito um otário
Agora aguenta o coice
Do milionário
 
Quem comeu dinheiro
Levou-lhe no papo
Agora vá para a feira
Compra um farrapo
 
Caiu de trouxa
Aplaudindo a Marcela
Não faz mais alvoroço
Batendo panela
 
Qua qua qua qua
 
Quem paga o pato?
Pato aqui, pato acolá
Quem paga o pato?
Quando o Brasil quebrar?
 
A educação e a saúde
Aonde é que está?
E o Michel Temer
Agora faz ha-ha-ha-ha
 
Cadê os patos?
O manifesto 
Onde é que está?
E suas musas nuas
 
Presas e expulsas 
Da avenida a dançar
A musa é linda 
Na manifestação
 
Mais lindo mesmo está
O preço do feijão
Vá lá de novo
Babar ovo de ladrão!
 
Qua qua qua qua
 
Ateu Poeta
12/10/2016

15
BALAS DE PRATA

A ingratidão move esse mundo cão
Tudo caminha para a mesma escuridão
Eterna erupção
O caos não se propaga na profunda solidão
Você se preocupa com o tamanho da inflação
Deixa inflarem seu cérebro com ventilação
Que parece enorme, mas é só ilusão
Por isso é tão grande o risco de vacilação
Seus gurus caem aos poucos, a cada canção
Do Brasil ao Japão há fome e miséria
Mas, é ainda maior essa bactéria
Chamada manipulação
Histérica coleira
A loteria do ladrão
Que já não rouba só galinhas da população
Faz franquias para a nova escravidão
É sua ou minha
Essa caverna de Platão?
Balas de prata são as moedas da estação
O ouro de tolo vale mais que o outro
Que amanhã não será mais o mesmo
Sob o sopro do dragão
A esmo será essa grande explicação
Por isso faço em poesia
Talvez a sinfonia toque mais satisfação
A energia do Sol é propensa à captação
Mas, é mais barato usar a radiação
Mesmo que efeitos catastróficos estejam em ebulição
Nunca se aprende de fato a lição
Daí esse aborto histórico da repetição
Querem mudança?
É só um passo da dança
Um jogo da repartição
Fogos aos porcos
Pérolas aos ricos
Poucos
Febre aos loucos
Forasteiros fazem bico
Calados são alados
Gerados no conflito
Não fique aflito
Estão blindados
Coisa que não se abala
Não posso mudar o mundo sozinho
Nem tirar o poder dessa gentalha
Por cima da minha mortalha
Haverá um redemoinho
Fazendo um novo caminho
O pingo d’água levado pelo passarinho
No fim o recomeço tomará conta
Quem pagará a conta desse golpe?
A galope
Irão como vieram
De outras eras
De onde eram?
Quem é que sabe?
Política que se aposta
Na ponta do sabre
E a proposta
É boa?
A garoa esconde
Não pegue o bonde
Sem saber o rumo
Olhe o prumo
Em resumo
Talvez o diamante vermelho
Esteja mais perto do conselho
Mas há quem prefira o centelho
Ao centeio
Porque é mais fácil queimar
Do que amar
Amargurar fica para depois
Pensar também
Sem por freio
O desdém feijão com arroz
Assim, na lata
Sem receio
O arreio já se recompôs

Ateu Poeta
05/08/2016

16
O TREM DA DITADURA

Quanto mais
Destaque
Maior o nível
De ataque
Um lado
É paladino
O outro
sórdido
Só dino
Ouro e diamante
Provocam o tolo
Delirante
O couro
Que ardia
Antes
Em carne
Viva
Na estante
Escuto as balas
Da tortura
Na TV
A bola
A mente
Fura
Jura
A censura
Que tudo
É para o bem
Mas, atropela
Com o mesmo trem
Da ditadura
A luta é dura
E a batalha
Não é palha
Mas é párea
Para o sistema
Que trema
Apenas
O temor
Com a flor de açucena
Lavanda de alfazema
A minha pátria
Murcha em dissabor
A ressaca
É sempre imensa
Mas, a caverna
É pior
Maior
E mais densa
Liberdade não é ofensa
Mas, general não pensa assim
Na sua pena
Jorra o sangue
Do operário
Do cidadão civil
Do professor
Do estudante
E o salário só corre
Pro bolso da corrupção
A Constituição
É mero conto do vigário
Onde está o meu honorário?
Otário só cumpre horário
E defende salafrário
Com todo o vigor
E joga o futuro
Inteiro
De um país
Sem pena
No ventilador

Ateu Poeta
08/11/2016

17
A MÁFIA DO PODER

O fascismo vai
O fascismo vem
A democracia passa
Mas o golpe está bem

Cadê você
Que bateu panela
Contra o PT
De amarelinho

Deixando a calcinha
Pra todo mundo ver?
Então, cadê você?
Que não tem solidariedade

Para com o MST
Que mostrou os seios
E outras coisas
Na TV

Então, cadê você?
Cadê você
Que foi pato
Na avenida

Que deixou a pátria
Toda desprevenida
Adulou o Cunha
E o Japa da Federal

Que adora cada
Manobra industrial
E que vai perder?
Vai perder

O reajuste salarial
Por 20 anos
Isso é surreal
E ainda acha que é legal

Você acha graça da bala letal
Ama a ditadura
E a era colonial
Porque tem mente brutal

Diga-me, você
Por que quer ver
O Brasil retroceder?
O MBL é só iê, iê, iê

O Michel Temer
Não lhe dará lazer
É a Máfia
Do poder

Ateu Poeta
05/11/2016

18
CHACAIS ACHACADORES

Vocês querem o padrão
Que quebra o meu país
O estrangeiro é o patrão
Batem no povo com cabeças-de-lata

Cada chefão é um mero primata
Que mata na rebelião
Após a carnificina ingrata
Vem a redenção

A absolvição
É amiga da convenção
Amante da corrupção
Pare a procrastinação

A miséria
A alienação
A promiscuidade partidária
E a impunidade diária

Os lobos lobistas
Ladram na cidade
Chacais achacadores
Adulteram a mocidade

São marginais, escorpiões
Com toda a leviandade
Brasília é o achacadouro
Ilha da prevaricação

Onde mora a quadrilha
Que aprimora a cartilha
Da golpibilidade temerária
Que a tudo falsificará

Fazer-se-á farsa maior?
Que este domínio-dominó-vigarista?
Está todos na lista
De um futuro xilindró

Ateu Poeta
11/10/2016

19
DESORDEM E RETROCESSO

Vamos voltar à ditadura
Com um ditador chamado Temer
Não há nada a temer
Além dessa estrutura

A História é sempre dura
Sobretudo no Brasil
Quando o golpe não é militar
É porque já é civil

Quem ama a bala e a mortalha
E com vaia se acovarda
Não passa de gentalha
Mero fogo de palha

Bombas para o caos
Deforma do Ensino Médio
A infimocracia por remédio
Amargurado tédio

Degola da democracia
Hipocrisia por gola
O colarinho se aprimora
Tudo agora é burburinho

O povo no luto luta
Porque sabe da labuta
Que essa força bruta
Jamais entendeu

Se cada direito feneceu
E até a flor amarela morreu
O sonho vermelho brota
Sem nenhuma lorota

Sabe quem não esqueceu
O que era a tortura no porão
72 horas de choques
Mutilados a reboque

Muitos toques no congelador
Solitária do terror
Pau-de-arara a rigor
Nada de tocar rock

Torre inglesa no Brasil
E na América latina
Fazem da História latrina
Com mil tiros de fuzil

Alguns salvos pela mídia nanica
Na república das bananas
Para quem nada sabe é bacana
Até o quadro de Guernica

Volta a operação condor
Com toda a dor de Cohen
Com cada robô dos quartéis
Ressuscitando os coronéis

Toda a miséria fascista
Cada gota de sangue derramado
Foi escondido
Cada grito, abafado

Corpo enterrado no quintal
Incinerado, seu Pasqual
Uns dizem que foram tempos bons
Que não existia bandido

Sabem de nada, meus caros
Estão bem escondidos
Torturadores ainda vivos
Poucos arrependidos

Ninguém anistiou Jango
Nem os desaparecidos
E os simplesmente sumidos
Sem nenhum rastro de pólvora

O que foi suprimido
Não pode ser restaurado
Só quem foi torturado
Sabe o que foi sofrido

Ateu Poeta
02/10/2016

20
SUBÚRBIO

90% da Grande Mídia é lixo
O verdadeiro luxo está escondido no subúrbio
Na falta de incentivo fiscal
E na ausência de mecenas

Ateu Poeta
21/08/2016

21
À LUTA

Dessa luta
Eu não me retiro
Porque minha a força
Vem da labuta

É tanto filho da pátria
Numa pá
A intolerância resulta
No trá-trá-trá

E cada dia é mais um tiro
Que saiu pela culatra
De escopeta e de fuzil
Não é espoleta, é na lata

E acerta a cara do Brasil
Quando olho para o lado
Tem mais um corpo estendido
Assassinado

Muita gente só quer o topo
E nem sabe de que
Topa tudo por dinheiro
E deixa o país sem comer

A volta à fome faz parte do regime
Civil ou militar
É o mesmo crime
O particular se imprime

Sobre qualquer estatal
Privatizar é a palavra de lei
Fico sem ar
O que fazer eu já sei

Mobilizar
Ir contra aquele que oprime
Fazer batucada pra reclamar
Vamos juntar um milhão

Porque aturar
Esse bando de ladrão
É por tudo pra desabar
Chega de corrupção!

Vamos essa história mudar
Onde o pobre só serve
Para morar no camburão
E o preto pra escravidão

Mesmo sem algema
É visto como problema
E mandado pro caixão
Quando é ele o cidadão

Parte do elo
Então, vamos pro duelo
Com a foice e o martelo
 Criar a solução

Ateu Poeta
27/06/2016

22
BRILHO DE REBELDIA

A maioria daquelas estrelas já morreu
E continua a brilhar por rebeldia
A radiação é ofuscada à luz do dia
Pela proximidade de outra ilusão 
A noite eterna mora no espaço sideral
Lá tudo é céu
Nada meu nem seu
Neura neural
Propensa prisão

Ateu Poeta
21/08/2016

23
O POVO TEM PODER

Há muita falsidade na cidade
A liberdade se evade
Tristeza que invade
E a felicidade agora é só saudade

Em que rua se perdeu a sanidade?
Sanitarismo sem qualidade
Vigilância que não se ancora, barbaridade
Militância militar movendo a mortalidade

Facções ferindo com facilidade
Proposta, propensão, propriedade
A droga afoga a sociedade
De que lado você joga na verdade?

O Congresso é só regresso sem lealdade
A mídia é um monstro de imbecilidade
A maioria se vende sem necessidade
Mercadorias vazias, só vaidade

A economia rouba a privacidade
E a privatização diminui a escolaridade
Dados falsificados no Datafolha, irresponsabilidade
Veja que a Veja promove a irracionalidade

Rio Doce é só insalubridade
A Vale não vale a notoriedade
Coxinhas culpam o PT com irritabilidade
Cunha cunha crocodilagem com tamanha habilidade

Balas de borracha nas pernas da mocidade
Tocha apagada, linda contrariedade
Governo golpista sem credibilidade
O fascismo renova a sua idade

Questão de lateralidade
A esquerda grita fora Temer pela igualdade
Ministério de bandidos sem diversidade
Com ganância, truculência e tenacidade

Temos que lutar com toda a sagacidade
Por Dilma e por Lula, com disponibilidade
Nada a temer! Sem possibilidade!
O povo tem poder quando se faz unidade

A resistência pode mais sem ansiedade
É hora de darmos as mãos para vencer com irmandade
E ir à luta pelo voto e sua validade
Vetando esse impeachment de arbitrariedade

Ateu Poeta
04/08/2016

24
POLÍTICA DE ARLEQUINS

O Brasil
Virou piada
Consumida
Consumada

E a pátria amada
Onde está?
Lutando
Contra a ditadura

Há quem prefira
A tortura
Porque não
Estava lá

Esdrúxula
Mediocridade
Arbitrariedade
Censura

Que invade
Política de arlequins
A direita
Segue armada

O planeta
Dá uma guinada
A verdade
Não está no Queens

Muralha de Adriano
Todo o ano
Muralha da China
Na esquina

Muro de Berlim
A mortalha abala
Porque a bala
Não é

De festim
Pólvora
Explodindo
Camicazes

 Ases
Detonado
Querubins
A menina

Dos olhos
Chora
O mundo
Antecipará

Seu fim?
Marca d’água
No fogo
Da extinção

Dragões
Dragando
Cifrões
Os refrões

Não dizem
Sim
Multidões
Em polvorosa

Evaporando
Solidões
Terror
Implantado

No peito
Perfurado
Rarefeito
Estopim

A humanidade
É o vírus da Terra
A guerra
Reverbera

A pantera da maldade
Hipocrisia
Vaidade
Insanidade

Molotov
Coquetel
Quartel
De insaudades

Refazendo atrocidades
Rosas
Entre dores
E jasmins

Ateu Poeta
10/11/2016

25
FORCAS E FARRAPOS

As paixões morrem
Enquanto o mundo corre
Para o caos
Os países se analfabetizam
Político-literariamente
A realidade sangra no peito
A TV mente
As mentes tolas
Estão todas amarradas
Pelo cais golpista
Lavagem cerebral
James Brown já não está na pista
Nada adianta ser artista
A ditadura se infiltra
Prospera
Faltam Malcom X
Luther King
E Mandela
Sobram tarantelas de fascistas
Nazistas
E imbecis zumbificados
Que atiram pra todo lado
Aonde a fome não assola
Há bombas, balas
E cassetetes na cartola
Gás lacrimogêneo
Pimenta nos olhos
De civis menores
Estudantes presos
Mas, as algemas estão
Nas cabeças dementem
Da polícia
Bruta
Da política
Que insulta
Deturpa
E destrói
Faltam Tolstoi
Maiakovski
Trótski
Jango
Juscelino
Marx
Dante
E Neruda
Os ratos já tomaram de conta
Quem pagará a conta
Desses patos amarelos?
Só restarão farelos
Forquilhas
Forcas
E farrapos

Ateu Poeta
04/11/2016

26
HAITI

Ah, Haiti, o que será de ti?
Ah, Haiti, que tragédia tremenda
Um grande furação, sem emenda
Destruindo a nação

Uma lágrima caiu no meu sofá
O que que há pra confortar
Quem agora passa fome?
Quantos desabrigados

Tanta coisa que se some
Até esqueci meu nome
Ah, Haiti, o que será de ti?
Uma guerra no outro lado do mundo

Também faz devastação
O homem tem a mente muito falha
Onde é paraíso
Em um dia faz mortalha

A natureza não se importa
A minha antiga fé já está morta
Viver é sempre tão cruel
Não, não há ninguém no Céu

Não adianta rezar
Não adianta pedir
Se o Haiti não é aqui
Poderia ser

A História é simultânea
Tão inglória e espontânea
O que fazer?
Mais uma campanha humanitária

De um capitalismo selvagem
Que nunca te deixou crescer
Que acaba com a África
Que faz demoníaca a Terra Santa

E quem de fato enrica?
Nada mais me espanta
Vai e volta ditadura
Sem esmalte na tortura

O Haiti não é aqui
Mas poderia ser
Onde não há furação
Existem homens sem noção

Sem controle e sem razão
Fazendo sangue por milhão
Quem quer fazer nunca tem voz
Ah, Haiti, o que será de nós?

O Haiti não é aqui
Mas poderia ser
Ah, Haiti, ah, Haiti
O que será de ti?

Ateu Poeta
08/10/2016

27
TÂNTALOS DA SOMÁLIA

No fim do dia
No fim do dia
Só sobrou a atopia
Sonho, descanse em paz!

Sonho, descanse em paz!
Água, meu senhor!
Água, por favor!
Pior que a fome só a sede

Agonia que me seca
A seca nunca para
Mortalha de Sol estendida
Não cometi crime algum

Mas cumpro pena de vida
A política estabelecida
É um formal jogo mundial
Com toque de recolher

Onde a miséria é brutal
Onde está a minha escola?
Não existe bola nem escolha
Minha gente ainda insiste

Em lembrar que existe
Em tentar sobreviver
A violência é iminente
O terror ascendente

No calor da esmola
De ser dependente
Mora
Um imenso ultraje a rigor

Que é descendente
Desse sistema emergente
Que implantou a lei do trema
Tema

E nada tenha!
A África subsaariana
Sente a suçuarana do pavor
Está tatuada no drama

Suplantada
Esfolada
Enforcada
Entalhada

Enterrada
Na trágica trama da dor
Do Estado Islâmico
À Máfia Italiana

A História só se repete
E ninguém se mete
Para evitar
Porque será que a maldade

Manda mais que a caridade?
O poder impera sobre a humanidade
Triste escrava da mais-valia
“Temos que estancar esta sangria”

Nas palavras de Romero Jucá
De Rômulo a Rômulo
Roma veio para cá
Quando o novo não vem todo dia

O mínimo é vital
Bebida com cloriforme fecal
Que brota do chão cavado
Sem ser ingerida

Por nenhum outro animal
Porque há sujeira embebida
Em escala industrial
De um grande sertão natural

A disputa territorial
O descaso intelectual
E o esquecimento geral
Fazem tudo piorar

Quando vem ajuda ao cativo
É só um paliativo
 Sem ativo
Economia de quintal

Não há crivo tão incrível
Para tudo mudar
Tão curto é o alívio
A morte é até uma cura

Nessa jornada sem norte
E tão dura
É loucura
Uma febril tortura

Vira assunto
Por um mísero instante
Na vitrine virtual
Mero acaso de canal

Que grita
Em delirante ritual
Para o vil palco carnal
Numa euforia degradante

O mundo é um covil
De carnificina
Dentro das megalópoles
Que chamamos “civilização”

Há um louco em cada esquina
Psicopatas
Com colarinho federal
Em ação

Fazendo o tempo andar pre trás
Sugando tudo para um lado
Clã não declarado
Parasitas fenomenais

O templo é o caminho
Cuidado com o moinho da heresia
Você precisa rimar
Para somar com maestria

E não ser visto pela Matriz
Não há nenhum New, aprendiz
Você não pode vencer!
Cadê a colher e o giz?

Os abutres somos nós
Os que somem
Omitem
E criticam quem ousa lutar

A grade está servida
Se a caverna está dividida
Vamos outra dívida criar
E soltar bombas no ar

Para que tanto movimento?
Para que tanta poesia?
Que adianta clamar com utopia
Se não dá mesmo para escapar?

São tantas crianças carentes
Tântalos muito mais que inocentes
Errantes a seguir sem errar
Uganda, Quênia, Etiópia, Djibuti, Somália...

Sementes sombrias e escusas
Fabricam correntes e correntezas
Forjam mazelas em troca de luxúria
Projetam favelas em Fortaleza

O Rio é um fuzil
Que dá calafrio em afegão
São Paulo é outro pavio
Na Síria morre meio milhão

Estados separatistas no sul do Brasil
Os artistas do tráficos estão de parabéns
Rins do subúrbio são vendidos
Nas linhas mais turvas dos trens

A boca manda calar
E dizer amém
A noite aqui faz sangrar
Açoite para a Corte cortar

Com a vírgula de um lampião
Batmans batem no jargão
As metralhas sabem ladrar
O estampido é a libido de uma nova explosão

Ateu Poeta
09/10/2016

28
BRASIL É SELEÇÃO

Quem roubou um milhão?
Quem roubou um bilhão?
Quem roubou um trilhão?
Venha para o balão
Da corrupção
Brasil é seleção!
Para ser ministro
Tem que ser sinistro
Envolvimento misto
Pode ser Calisto
Ganhar aquilo e isto
E se quiser eu listo

Ateu Poeta
30/06/2016

29
SOCIEDADE EMBRIAGADA

A resposta será
Sempre transversal
Mesmo quando
A pergunta for

Transubstancial
Fluxo, fluxo, fluxo
E tudo passa tão rápido
As dobras se dobram mais

O caos causa câncer
Na câmara, na cama, no cais
Poluição mental
Sonora

Terrorismo verbal
Senhora
Quando a aurora virá?
Agora?

Quando eu poderei sonhar
Sem precisar ir embora?
Já é hora
Desta dor passar

Apenas a solidão sabe quem sou
O que sinto
Escuta meus gritos
Está onde estou

É a minha prisão
Canção
Clamor
E rebeldia

Minha noite
Meu dia
E minha superação
Depressão

Agonia
Loucura
Bravura
Estupidez

Sapiência
Timidez
Medo
Ansiedade

A acidez da cidade
Com toda a sua rudez
A sociedade a ruir
Em sua eterna embriaguez

Ateu Poeta
01/10/2016

30
A GRANDE FRAUDE

Não adianta só usar terno
Tem que ser direito primeiro
Honesto e pós-moderno 
Reacionário, não! 

Esqueça a privatização!
Fora corrupção!
Temer, jamais!
Fortaleça as estatais

O país não se resume às capitais
Querem apagar o passado
Porque estão amarrados
Pelo próprio rabo

Por isso dar cabo à democracia 
Para eles é vital
Para prender o rival
Ferem a Constituição

E toda falsificação se faz
A liberdade aqui jaz
Filhotes da ditadura!
Boicote por estrutura

A verdade é dura
Vivemos outro golpe
Em rápido andamento
A galope e sem argumento

A fraude do impedimento
Todo mundo agora fala Inglês
Depois reclamará
Quando vier a escassez 

Ateu Poeta
13/06/2016

31
CAVERNA POLÍTICA

Saia dessa caverna que lhe prende
Antes que lhe falte o ar
Você é tão inconsciente
E só sabe difamar

O que diz nem mesmo entende
Você gosta de odiar
Baboseira deprimente
Adora falar

Se fosse de fato inteligente
Veria que é hora de despertar
Mas, a mídia onisciente
Que manda você votar

Quer destruir a esquerda
Para o povo escravizar
A Lei abraça Moro
Aí fica difícil

Porque a tucanalhada
Já se perdeu no vício
Roubar é o ofício
Do falso cidadão de bem

Jornalismo pro showmício
É o que se vê prosperar
Prisão sobre prisão
Armação espetacular

De traição em traição
Fazendo o Brasil afundar
Não sobrará um vintém
A delação deixa pra lá

Só usará o que convém
Estão plantando vento
A tempestade logo virá
Se a ditadura temerária não a fizer de refém

Ateu Poeta
07/10/2016

32
CEGUEIRA MENTAL 

Um fotógrafo perde um olho
Um professor perde um olho
Uma estudante perde um olho

E você que tem dois olhos
Continuar cego
Apenas alimenta o ego 

Na direção errada
A jornada da vida é uma batalha
Não Deixe a sua mente enjaulada!

Enquanto cresce a mortalha
A ditadura entalha a História
Com toda a oficialidade

E nessa trajetória
Que se dane a igualdade
Democracia no abandono

Ateu Poeta
03/09/2016

33
PAZ FUGAZ

O mundo hoje
É todo igual
Em cada lugar
Um fascismo
Um nazismo
Direitismo descomunal

Golpe civil
Ritual
Diretas já
Sociedades, secretas ou não
Querendo a escravidão total
Apocalipse now

Midiação unilateral
Medíocre mediação formal
Desvios de verba bilionários
Códigos binários sem matriz
Matiz da caverna
Rios de erva

Minerva cheirando pó
A rigor, infeliz
Um senado armado
Contra o país
Vampiros na Câmara Federal
Não falta rival

Racismo irracional
E bala perdida
Mais que o normal
Voto roubado
Onde já se viu?
É tão vil

Lixo cultural é servido
À libido
Embebido em lavagem cerebral
Trapaça em taça de cristal
Traças, baratas e ratos no poder
Tração até a China

Transação
Faxina
Truculência de antemão
A guerra sempre está por um fio
Porque o funil aperta mais e mais
Democracia aqui jaz

A meritocracia
É tão fugaz
Quanto a paz
E o discurso vicia
Sádicos, masoquistas
E quem já nem sente mais

Falsidade intelectual
Na TV
Na revista
E na entrevista do jornal
Revista sem revisão
É tanta divagação

A ilusão é tão fenomenal
Que mata curdos, sírios, africanos
Gregos helenos e troianos
Cristãos, budistas e ateus
Deístas, muçulmanos e judeus
Filósofos, proletários e cientistas

Sábios, otários e artistas
Socialistas, capitalistas, anarquistas
Comunistas, hinduístas, agnósticos
Camponeses e industriais
Patrões e operários
E quem mais constar na lista

Todos os padrões saem de moda
Os blocos deformam
Tribos viram tribunais
As mudas mudas mudam
No sol, e na chuva
Névoa de luva no arrebol

Ateu Poeta
06/09/2016

34
BATALHAS DESCABIDAS

Enquanto a mídia vende cerveja
Crianças se matam com depressão
E você me vem com essa oração?
A Síria não consegue descansar em paz

Que Deus é esse que ninguém vê
Mas que mata todo mundo
Até sem querer
Em mísseis federais?

O petróleo
O dinheiro
Capitalismo
Ou sei lá o que

São bombas do terror
Religiosamente fenomenais
Criando rios de sangue
Do nunca mais

Carnificina pavorosa
Em polvorosa
Cenário assustador
Até Caronte se benze e fala:_ aqui jaz!

Aqui jaz, aqui jaz toda a ilusão
Aqui jaz, toda a glória
Todo o jargão
Já não há lágrimas

Já não há mais
Nada
Só destruição
E aqui jaz

Quais os sonhos daquele filho?
Quais os sonhos daquele pai?
A poeira se apoderou
De todo o ritual

Cemitério a céu aberto
Mesmo o condor se assustou
E cantou como o sabiá
O beija-flor já nem lembra da rosa de Hiroshima

A rima já nem cabe no computador
É tudo tão virtual
Tragédia grega
Abissal

Porque que tem que ser tão real?
Será que ainda existe humanidade
Em cada besta dentro de cada um de nós?
Ou somos nós desgarrados agarrados no caos?

Tanta sujeira no senado
Na Câmara de gaz
O meu peito feriu
Ouço a sombra de abril

O brio que falta
É tão forte
Sem norte
E tão frio

É tudo tão febril
Que o meu perfeccionismo
Com ar de cinismo se esfacela
Os que merecem cela raramente têm

Os demais nascem destinados
Às galés
A Idade das Trevas
Cutuca os meu pés

Correntes macabras da destruição
Fluxo profundo
O mundo é um vulcão
Entra em erupção a cada três segundos

Júlio Verne, me diga
É este o meu mundo?
Será tudo isso é verdade?
A loucura já virou razão?

Porque a razão agora é insanidade
Drogas se espalham pela cidade
Um golpe perfura o seio do Brasil
Coquetel molotov acendendo o pavio

A vaidade manda e a lei obedece
Enquanto a aranha na areia tece
O lírio cresce
Mas o lirismo fenece

A guerra é um delírio marcial
A corte, o corte, comercial
Estatísticas nas mentes psicopatas
Que querem dominar o mundo

com sua negras gravatas
Forjando falsas serenas
A lavagem-cerebral já não me deixa pensar
Raul Seixas a sorrir e cantar

Arco-íris em ação
Radar rondando, rotação
Nenhum diamante vale tantas vidas
Batalhas tolas, descabidas

Tão dura é a lida desses civis
Nem chegará a ser lida
Já que a História é sempre mal contada
Muitos vezes retalhada

Como um quadro de Picasso
O que Rubens escreveria nesta cena dantesca?
Dali se comoveria?
Delacroix pegaria novamente no mosquete?

Enquanto estudantes levam bala e porrete
Eu quero um foguete para morar em Marte
Porque por toda a parte
Nada há de inteiro

Só importa o dinheiro
Essa ganância
Intolerância
Desde Seth tudo só se repete

Arranca um olho daqui
Arranca um olho de lá
Segando a educação
Cegando as mentes

Dementes no comando
Apertando botões
Produzindo decretos secretos demais
Espionagem grampeada em níveis astrais

Desastres teatrais
A crise é eterna
Seja na Lua, na Rua ou na Terra
Porque a cara do homem é dizer que erra

Ateu Poeta
24/10/2016

35
POR UM DIA DE PAZ

Eu negaria a poesia 
Por um dia de paz
Nunca vi harmonia
Em suas frases iguais

Quero viver na sinfonia
De mil carnavais
De rebeldia que floresce
Nos canaviais

Canivetes que sangram
Infinitos rivais
Com as mesmas giletes
De macabros rituais

É tanta hipocrisia
Que se lê nos jornais
Golpistas no poder
Mostrando os seus anais

Corrupção estatal
Ofícios demais
Corporativo edital
Sujos sinais

Orifícios escusos
Olho do furacão
Só acuso quem tem culpa
No decorrer da fração

Morreu mais um milhão
No meio da canção
Na Síria, de frio, de fome
Ou de explosão

É tanta guerra que não para
Mortalha de erva
Inocentes entre a gentalha
Sem votos de Minerva

Ódio que atrapalha
Quando se enerva
O fogo de palha
Desses homens da caverna

Que nunca viram a luz
Da verdadeira razão
Morrem por dinheiro
E fé em podridão

Rios de sangue
Outros de poluição
Destruição dos mangues
Uma bomba no Japão

Israel e Iraque
Sob ataque de pressão
Líbia, Líbano, libido Talibã 
Estampido no Afeganistão

Estados Unidos
Desunindo mais uma nação
A Rússia metralha de avião
O islamismo em intensa ação

Tanques na Tunísia
E no Cazaquistão
Nigéria, Irã
Boko Haram em expansão

Primavera árabe
Ísis na França
A morte dança
Em noites de lazer

Por pura arrogância 
A crueldade invade o novo amanhecer
O terror que faz tremer
Trazendo perigo

Al Qaeda em união
Com o grande Jihad
Atentados suicidas por convocação
Seres zangados muito mais que zangão

Turquia, Coréia
Ditadura por um fio
Manobra militar
No seio do Brasil

Os idiotas querem arreio
Freio de antemão
Só sentem receio
De perder a ilusão

Desejo escondido
De voltar à escravidão
Por orgulho ferido
Ferem a Constituição

Soltam os bandidos
Chamam o operário de ladrão
Por não serem capazes
De façanha igual

Porque se alimentam da miséria
São bactérias virais
Sangue-sugas malditos
Nós não vivemos em vitrais!

Ateu Poeta
25/08/2016

36
CAVERNA PÓS-MODERNA

Longe de tudo
Esquecendo o mundo
Por um segundo fora do ar

Voltar à caverna
Pós-moderna
Eu preciso disso pra me libertar

Já é primavera
Quem me dera
Ainda saber sonhar

Por um instante
O mais radiante diamante
É se encontrar

Inútil guarida
Sem saída
Pois esta vida irá acabar

Rápido ou lento
Como o vento
O talento do tempo é sempre passar

Todo inferno
É interno
O desejo do homem é poder voar

Ir a diante
O mais distante
Navegante, atravessar o mar

Ofegante, delirante
Perante Dante
Jamais se entregar

Ser poeta
Arqueiro de mira reta
 Ter uma causa para amar

Trajando terno
No inverno eterno
O meu coração irá congelar

Na grande estação
A mesma canção
Sem distinção irá tocar

Radiação, combustão
O que veio da explosão
Um dia apagará

Ateu Poeta
04/09/2016

37
VERDADE CONTRA O VENTO

A honestidade é quase um mito
Eu fico aflito com esta canção
Impera sempre a lei do grito
Não importam quais os amperes da razão

A porta do ringue está sempre aberta
Principalmente para quem não sabe lutar
A vida se apresenta para te bater
Jamais para apanhar

O importante é o que se reverbera
E não o que a verdade alitera
Por estar em fragmentos
Aí vão em bora os elementos

Contra o vento é perigoso sonhar
Todos procuram nunca ter tempo
Perdendo até o que não têm
Porque dignidade é morrer estressado

Marasmo é o mar de quem perdeu o trem
A obsolescência só corrobora
Com a corrupção que aos pulos se aprimora
E não mora só em Brasília

Porque todo homem é uma ilha
A tempestade vai e vem
Cedo ou tarde
A sorte só existe ao se esquecer alguém

Ateu Poeta
24/10/2016

38
A CAVERNA DA DESNATURALIZAÇÃO

Tudo o que é natural ainda é transformado
Em pecado
O homem é um animal tolo
Muito mais que desnaturado

Ensina-se a sofrer
Vive para ter dor
Para não querer o que é preciso
E aprende a depender do impreciso

Somos a espécie do vício
É isso o que nos mantém
Porque sabemos que a vida é um abismo
E isso convence mas não nos convém

Não aprendemos a viver bem
Poucos são sábios por si
Que se ensinam a ter prazer
Aprendem a resistir

E sabem de fato viver
Eu sou desnaturalizado
Meu grande mestre é a televisão
Seguido de perto por livros

E amigos, virtuais ou não
Aprendi a ler sozinho
Detectei a minha falta de atenção
O meu nível de alerta só não é maior

Que a própria meditação
Antes de ser ateu
Decidi experimentar
Para destruir os pesadelos

Que o cristianismo conseguira implantar
Foi preciso muita auto-análise
Muita concentração
É complicado lutar sozinho

Leitura foi a medicação
A crise copérnica faz parte de mim
É culpa da evolução
Alguns nascem assim

Mas, a vida ainda é em vão
O pior é ter supersentidos
Vivendo neste mundo caos
Onde a anestesia é abrigo

Principalmente a intelectual
Ser superlativo
É passar por mentiroso
E ser banido do ritual

Ser intelectual
Não é mais que ser teimoso
Saber a fraude do “universo-astral”
É muito perigoso

Estamos todos na matriz
Na caverna, engaiolados
Amarrados feito perdiz
Somos condores engalinhados

Porque o fascismo é a religião
Que manda na política
Holística, olhística, neolítica
Produzindo alienação

A maçonaria dás as cartas do jogo
Grita com euforia na Globo
Mas não controla quem irá vencer
Mesmo com a ira do lobo

Porque alguns têm o poder
Da desalienação
Alienar-se é muito fácil
Difícil é a reversão

A maioria segue o caminho
Que a irá abater
Ir para o abate é rápido
Lenta é a contramão

Porque nos ferraram
O caminho da sofreguidão
A miséria não é natural
É a própria desnaturalização

Ainda não aprendemos o conceito
Da desterritorialização
Não sabemos viver em paz
Ainda amamos a guerra

Porque no fundo não somos mais
Que meros homens da caverna
A caverna manda no mundo
Ela inventou Adão

Veja cada país
Em auto-deterioração
Não saber votar
É suicídio coletivo

E não saber lutar
É ser para sempre
Um escravo
Um cativo

Ateu Poeta
11/10/2016

39
MISTICISMO OBSOLETO

Você quer ter razão em tudo
O mundo gira ao seu redor
Quero ver um dia, mudo
A sua cabeça dar um nó

O misticismo sempre impera
Seja lá por qual Tandera
Reitera sem parar
Não para nunca de falar

Minha língua já fez um calo
De tanto argumentar
Já deu!
É hora de calar

Afastar
Andar sozinho
O que não ajuda
Atrapalha

Não estou mais disposto
No desgosto
De acender fogo de palha
Seja janeiro ou agosto

Chega de ditos populares!
São todos bobos demais
Mais do que obsoletos
Chega de mapas astrais

Sermões sem necessidade
Já tem idade de parar
Tudo tem que ser como você quer
Porquê?

Você não pode dobrar as leis do universo
Ao seu bel prazer
Como cabe tanta desinformação
Dentro de um mesmo ser?

Ateu Poeta
19/09/2016

40
SOBRE PEDRAS E VENTOS

Desmerecer tuas dores
Não te dará poder
Mas, quem não tem conhecimento de causa
Arranja pausa

Cria falsos argumentos
Para o fazer
Não, não é o melhor caminho
Jogar espinhos para te perfurar

A coroa deles ainda é uma imbecilidade
A arbitrariedade é um redemoinho
Nem tudo é questão de colarinho
Não adianta querer cura para o que não tem

O desdém não faz criar asas
Sair de casa e dizer amém
Só aumenta o trem
Eterna monstruosidade

A ociosidade às vezes faz bem
Em que outro momento se cria belas-artes?
Que faz parte do que todos
Querem bem

Mesmo se dizendo completamente brutais
Até as pedras sofrem com o distúrbio dos ventos
Nem tudo o tempo irá sanar
Porque mesmo ele é só abstração

Uma apropriação humana
Para fazer do universo
Verso, reverso, diverso
E mucama

Mas ele não é dama de ninguém
E sim xadrez de si mesmo
Complexo, auto-reflexo, anexo
Sujeito individual e sem nexo

Ateu Poeta
16/10/2016